7. Práticas de Gestão Responsável
Manejo de Resistência de Insetos (MRI)
A resistência de insetos a táticas de controle é conceituada como um processo evolutivo afetado por diferentes fatores bioecológicos e genéticos ligados à praga alvo, e de fatores operacionais que se referem ao método de controle utilizado (ROUSH & McKENZIE, 1987). Uma das explicações para a evolução da resistência está no fato de que muitas das práticas de manejo de pragas, como o controle químico, a resistência de plantas a insetos e os agentes de controle biológico, são idealizadas e colocadas em prática com o objetivo de reduzir a população de uma praga mediante o aumento da mortalidade ou da diminuição da fecundidade dos insetos. Deste modo, possíveis diferenças na sobrevivência e ou fecundidade entre os indivíduos existentes em uma determinada população, após a utilização de uma destas práticas de manejo podem resultar na seleção de insetos resistentes a tática de controle empregada (VIA, 1990).
Devido à expressão contínua das proteínas inseticidas ao longo do período de desenvolvimento (FEARING et al., 1997), as plantas Bt exercem pressão de seleção sobre as populações de insetos-praga que são alvos do controle (FERRÉ & VAN RIE, 2002). Assim, a preservação da suscetibilidade nas populações de insetos a toxinas presentes nas culturas Bt depende da adoção de programas adequados de liberação e manejo destas plantas no ambiente. Estas medidas têm o objetivo de evitar ou retardar ao máximo a evolução da resistência nos insetos a toxinas de B. thuringiesis. Portanto, a utilização da tecnologia YieldGard® em programas de Manejo Integrado de Pragas (MIP) requer o estabelecimento de estratégias para o manejo pró-ativo da resistência de insetos. O Manejo da Resistência de Insetos (MRI) pode ser definido como o conjunto de práticas que devem ser adotadas com o objetivo de reduzir o potencial para a evolução da resistência na população da praga. Programas de monitoramento da suscetibilidade das pragas-alvo são indispensáveis para que se acompanhe o desempenho das estratégias de manejo para o retardamento da evolução da resistência dos insetos a proteínas de B. thuringiensis em lepidópteros pragas (GOULD, 1998). Como estratégia de MRI, visando evitar a resistência de S. frugiperda, H. zea e D. saccharalis à proteína Cry1Ab expressa na tecnologia YieldGard®, a Monsanto seguirá e implementará um plano que contém os seguintes componentes: áreas de refúgio, monitoramento e programa educacional, componentes estes incluídos no contexto de Manejo Integrado de Pragas (MIP).
As áreas de refúgio consistem de áreas cultivadas com plantas que não contenham proteínas inseticidas de B. thuringiensis expressas em seus tecidos, e que devem ser suficientemente atrativas para a oviposição da praga alvo do controle, e deste modo servirem como um reservatório de insetos suscetíveis (OMOTO & MARTINELLI, 2008). Para que as áreas de refúgios funcionem efetivamente, os insetos suscetíveis da área de refúgio devem acasalar com os possíveis indivíduos resistentes selecionadas na área com plantas Bt (GOULD, 1998). Entretanto, o sucesso das áreas de refúgio depende da satisfação de uma série de premissas envolvendo questões operacionais das plantas Bt e bioecológicas da praga alvo do controle, que envolvem o acasalamento aleatório entre os indivíduos homozigotos resistentes e homozigotos suscetíveis das áreas de refúgio;,a localização do refúgio de modo a assegurar o acasalamento aleatório entre os insetos presentes nas áreas com plantas Bte na área de refúgio; e a sincronia na emergência de insetos adultos entre as duas áreas.
A disposição das áreas de refúgio é um dos pontos de grande importância para o manejo da resistência. A Monsanto recomenda, em áreas cultivadas com a tecnologia YieldGard® , o plantio de área de refúgio com milho híbrido convencional na proporção mínima de 10% da área total de milho da propridade rural, a fim de garantir a disponibilidade de indivíduos suscetíveis próximos às áreas de milho YieldGard®. Essas áreas de refúgio devem estar plantadas de modo que não haja áreas com milho YieldGard, em plantio contínuo e em qualquer direção, acima de 1.500 metros de extensão (Figura 10). Assim, a área de refúgio deverá ser distribuída em uma ou mais áreas dentro de cada propriedade, de forma a atender às regras acima. Cada propriedade agrícola com plantio de YieldGard® deverá possuir sua própria área de refúgio (ou mais de uma, se for o caso). A área de refúgio deve ser plantada com um híbrido de desenvolvimento fenológico similar, o mais próximo possível e ao mesmo tempo em que o milho da área com YieldGard® para que o refúgio seja efetivo e auxilie na redução do risco de evolução da resistência. Não é recomendada a mistura de sementes de milho convencional com sementes de milho YieldGard® para o plantio do refúgio. As áreas de refúgio dispostas na forma de campos adjacentes ou separados devem ser de propriedade e manejados pelo mesmo agricultor que cultiva o milho YieldGard®. As áreas de refúgio podem ser tratadas com inseticidas que não sejam formulados a base de Bt, aplicados via foliar desde que a pressão das pragas atinga o nível de controle.
O monitoramento para a verificação de alterações na suscetibilidade dos insetos alvos ao controle das toxinas de Bt é um dos pontos mais importantes dos programas pró-ativos de MRI às proteínas inseticidas das plantas Bt. Através deste tipo de monitoramento, é possível avaliar o resultado das estratégias de manejo implementadas para evitar ou retardar a evolução da resistência e garantir a eficiência das plantas Bt no controle de pragas (OMOTO & MARTINELLI, 2008). Portanto, é necessário que seja realizado o acompanhamento sistemático da suscetibilidade dos insetos nas regiões representativas do cultivo do milho, preferencialmente mediante o uso de concentrações diagnósticas ou discriminatórias.
A preservação dos benefícios e proteção contra insetos dependerá do cumprimento pelos agricultores das recomendações de Manejo de Resistência de Insetos (MRI). O plantio e manutenção das áreas de refúgio configuram o componente principal do plano de MRI para o YieldGard®. Portanto, a Monsanto estabelecerá ações que visem o treinamento e o estabelecimento de um programa educacional voltado para os agricultores para o uso adequado da tecnologia YieldGard® para o controle de D. saccharalis, H. zea, S. frugiperda.
Figura 8. Possibilidades de plantio de Áreas de Refúgio para o milho YieldGard®.
Norma de Coexistência
Para o plantio comercial no Brasil de milho geneticamente modificado, como o milho YieldGard®, em conformidade com a Resolução Normativa 4 e com o Parecer Técnico No 1.100/07 da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) é mandatório que o produtor siga as normas de coexistência: a Resolução Normativa No 4 da CTNBio estabelece que o Agricultor deve manter as lavouras comerciais de milho geneticamente modificado a uma distância mínima de 100 (cem) metros das lavouras de milho convencional (não geneticamente modificado) localizadas em áreas vizinhas ou, alternativamente, de 20 (vinte) metros, desde que acrescida de bordadura com, no mínimo, 10 (dez) fileiras de plantas de milho convencional (não geneticamente modificado) de porte e ciclo vegetativo similar aos do milho geneticamente modificado.